A beleza retratada em seus olhos pequenos e esperançosos, olhos enrugados e sofridos, líquidos e tão lúcidos, capazes de enxergar sonhos utópicos , fantasiosos em sua realidade. Os mesmos olhos contagiantes que andavam comigo sorrindo desesperadamente para as ilusões e fugindo constantemente da amargura, os mesmos olhos, os mesmos sentimentos. A mesma vida que costumava rir das pequenices e fazer festa das ilusões, a mesma criança que soltava pipa e se imaginava junto dela no céu, a mesma criança que hoje solta pipa do céu e que já não me da a mão.
Ai de mim se minhas lagrimas carregassem o peso da dor que levam de mim, se cortassem meus pulsos do mesmo jeito que ferem meu coração, ai de mim se a dor que deixou aqui fosse tão grande quanto o amor que ficou.
Eu tentei bordar em meu rosto um sorriso igual aquele que eu encontrava em seus braços quentinhos, e acabei encontrando os mesmos laços que você viu no fim do tunil. Aprendi a desligar meus sentimentos fugindo do peso esmagador das exigências de uma vida objetiva.
Depois de tanto correr na contra mão , estacionei em mim, não fui pra direção alguma, não dei e nem recebi, vi coisas passarem, enquanto eu me mantive no mesmo lugar, na esperança de que você de alguma forma me ajudasse a levantar mais uma vez, como sempre fez, e que continuasse em frente comigo.
Seguei minha Inocência, e enfim talvez tivesse orgulho de mim agora, consegui ver o que me dizia sobre o mundo, lugar sem esperança.Vivi na mesma ambivalência que você, mas não foi o suficiente para tamanha culpa.
Eu chorei sem disfarçar, tentei falar, mas você não pode ouvir.
A terra cedeu aos meus pés e passei tanto tempo de joelhos pedindo por você que em lugar algum houve desespero tão grande, acreditei bem mais do que imaginei um dia, e desacreditei também. Mas nada disso foi suficiente, nenhuma dessas palavras serão o bastante pra descrever a falta que vai me fazer pra sempre. Nenhuma dor vai apagar o que ficou.