sábado, 23 de abril de 2011

Essa noite ela me visitou.

Entrou pela porta, silenciosa e densa.Seus sussuros ofegantes chegaram até meus ouvidos arrepiando e encobrindo meus sonhos.
Abafou minha voz com entorpecente. Era tanta fumaça que mal conseguia ve-la. Apenas seus olhos.
Olhos de amargura, olhos salgados como o mar e como as lagrimas que já escorreram por esses mesmos pobre olhos.
Senti meu corpo nu, envolto em mortalha.
Não carregava foice, ou roupa escura. Era todas as cores e a falta delas.Era
vapor de licor alcoólico que sobe à cabeça, que envolve e que leva, sem deixar-me contestar.
Esperou a carne esvaecer e então me carregou. Seus dedos eram delicados, tão delicados que não pude senti-los ou tentar resistir. Era sobrenatural.
Seduziu minha alma.Me rendi.

Então o menino dos olhos azuis, me roubou. Soprou em meus ouvidos que ainda era tempo de viver.
Pegou em minhas mãos e se assegurou de que nessa noite eu continuaria viva e indiferente.
Ela foi embora, mas não disse adeus, a certeza de que iria me ver mais uma vez era tão clara quanto os olhos que nos observavam.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Amarra uma bigorna em meus pés e me joga mais uma vez na fúria do mar, faz com que as ondas me enforquem e encham meus olhos de areia. Faça com que a lama imunda seque em meu corpo, tomando conta da carne fraca.
Vai!
Me bate, me amarra, deixe o sangue escorrer.
Pegue soda, pegue álcool, coloque fogo.
Mas não fique em silêncio, por favor.

quarta-feira, 6 de abril de 2011


" ... seu rosto é um diario intimo que faz questão de mudar todos os dias."

domingo, 3 de abril de 2011

Seus olhos sobre os meus na margem da noite. A escuridão te atormenta, mas poderia o meu tormento ser maior? Sim, a sua partida, não há sofrimento maior que saber que o hoje não passou de hoje.
Abraços, sussuros , beijos e o gelo derretido, tanto em mim, quanto em você.
Meu corpo tremendo, devotada ao desejo. E teus braços sobre mim me protegendo do mundo.O fluxo constante de meu sangue correndo em minhas veias como se fossem carros de partida. O rarefeito me entorpecendo pelo teu cheiro. O desejo me fazendo delirar. Você me fazendo te amar.