segunda-feira, 23 de setembro de 2013

do que a vida é feita.

A vida é feita de saudade. Bom, pelo menos a minha.
Saudade doce, que me acompanha toda a noite e de manhã também, persegue meus pensamentos e quase nunca me deixa ficar apenas no hoje. Um presente do ontem.
Uma vida tão tênue, mas tão simples. Onde não se vive apenas de breves sorrisos, mas de felicidades constantes e tristezas absurdas. Sem invenções malucas e formulas certas, onde se vive e só.
Onde se sente e se tem todas as emoções o tempo todo, tudo o que se sente em um mar de nostalgia pronto pra rara calma.
Uma vida como um aeroporto, cheia de chegadas e partidas. Do pico da montanha, ao sub solo, e lá estão elas, as pessoas que te rodeiam, as mesmas que te amam e partem seu coração.
Feita de sorrisos tão rasos e tão falsos que me afogo em meio a essas alegrias desmedidas, e sem saber nadar, morro na praia dos desprazeres.

garota ambivalente.

Mesmo correndo uma maratona de anseios e eclodindo com meus medos, nunca cheguei perto do que almejo, nunca cheguei perto o suficiente da paz interior e passei a viver em uma busca constante pela perfeição.
Cansei de tampar os ouvidos e guardar todas as magoas gritadas ecoando dentro de mim enquanto a minha boca, costurada, não se movia nem se quer a favor de minha respiração.
Vivi uma vida falida, onde fiz de tudo para me sacanear, pra perder as poucas coisas boas que guardei com o tempo. Onde tive gosto em me ver sofrer e decidi que essa seria a única coisa que eu poderia fazer por mim mesma.
Tirei de mim os meus sonhos e tranquei as portas do meu coração.
Fui evasiva e me desfiz de laços de amizades. Nadei no lodo da minha insegurança e acabei com tudo simplismente por ter medo de perder.
Escolhi a solidão, escolhi assistir tudo de camarote , e escolhi não fazer nada para que as coisas mudassem.
Tentei me proteger, mas nada disso me trouxe proteção alguma. Fiz um inferno no meu mundo particular com a intensão de me diminuir cada vez mais.
Tentei ser eu mesma e me perdi mais ainda. Trouxe a tona uma pessoa que nem de longe reconheço.
Fui morrendo um pouco por dia, mas nada disso doeu tanto quanto querer mudar e não saber como começar. Nada disso doeu tanto quanto querer ser o melhor de verdade, e só encontrar o pior.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

clandestina

Eu pensava que toda dor tinha uma dosagem certa, para doer, mas depois te aliviar. Pensava que toda lagrima caia e secava.
Pensava que o amor era capaz de resistir a tudo e que a confiança era a sua base.
Pensava e queria que o mundo fosse igual nos meus sonhos e as coisas fossem menos complicadas. As maguas fossem menores, e somando as coisas boas vividas fossem todas um dia curadas e esquecidas.
Eu pensava que todo mundo era capaz de sentir como eu, de amar, mas amar de um jeito puro. Pensava que as pessoas eram capaz de amar, e amar-se.
Pensava que eu era feliz, até enxergar-me de verdade e perceber que não merecia nem o sorriso que pintava as vezes em meu rosto, por luxuria.Pensava que quem criava os monstros era eu, e que eu podia destruí-los todos de uma vez, com um golinho de segurança.
E eu jurava que jamais ia desistir de mim, mas olhem só... as coisas já não são mais as mesmas. Sinto que eu mesma me trai, me deixei jogada por ai em alguma estrada e pior que isso tudo, é saber que seja la quem eu tenha sido já não faz a menor diferença. Seja la tudo o que tenha acontecido, acabei me resumindo a isso, clandestina em minha própria vida.