quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Iris


Eu vi você sumir nas garras do destino, enquanto fui surrada por lembranças tão vivas quanto a maré de dor que me engolia. Me afoguei em um mar de lagrimas, e senti meu coração diminuir a cada batida em que percebia que a sua respiração não estava mais aqui.
Senti meu corpo tremer, a carne fraquejar, enquanto a saudade gritava em meu ouvido, enquanto tudo girava e eu via o seu rosto em todos os lugares, enquanto criava a ilusão de ter o seu abraço mais uma vez.
Adoeci e fui empobrecendo, admitindo pra mim mesma o quão ingênua fui, me justificando por ter me moldado em você e tirado de mim, ate mesmo o prazer de ser.
Não houve tortura maior do que não te ter por perto.
Meu paraíso, que de tanto querer em minhas mãos não tive nem em minhas vertigens.
E quem vai me salvar agora? Qual a cura pra dor que eu mesma causei qual a cura por não ter o que me pertence?
Eu desistiria da minha vida pra viver a sua, lutaria por você com as forças que não guardo nem em mim. Mas você não. E a única coisa que poderia me deter era isso, saber que de você eu nunca tive nem a amizade.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Eu fui sua, e não pedi nada por isso. Te ouvi, fiquei por perto e te ajudei no que pude .. e acredite, isso foi tão bom pra mim, quanto pra você.
No fundo, eu sempre soube que de amigos nunca tivemos nada, que de mim você nunca esperou nada  e mesmo assim insisti em você. Insisti porque gostei demais de você, porque confiei demais em você e porque sempre me senti muito bem com você.
Enquanto fechei os olhos para a realidade e vivi na sombra da ilusão, você me teve de verdade, como ninguém jamais teve.
Eu sinto muito por acabarmos tão cedo com o que nem começou, vou sentir a sua falta.. e você nem imagina o quanto.
E você sempre teve razão, eu sempre gostei demais de você, de um jeito que eu nem devia.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Corpo Vazio


Ainda me lembro, até de como você respirava naquele dia, do modo em que te vi indo embora, na certeza de que não voltaria tão cedo, mas voltaria. Lembro só do que foi importante, e acredite... Cada segundo não foi menos que isso. Lembro-me de como me olhava com ternura e depois transtornado, fechava os olhos com frieza para mim e os abria para a escuridão. De como eu senti a sua falta, me entregando aos frutos de um corpo perdido.
Para cada linha prescrita, um novo corte em seu nome, esperando que em cada gota de sangue se esvaecesse o imenso amor que guardei por ti. Esperando a sua volta em cada ferida curada, e lembrando-me da fuga em cada cicatriz permanente.
E como todo poeta, esperava por você como o dia espera pra nascer, me embriagando da tristeza, e me acabando na amarga e vasta lembrança trazida por fragmentos de lucidez. Esperava por você me deliciando na doçura ardente da dor, da  falta. Me sustentando apenas com as migalhas da minha solidão e fazendo alusão ao desejo de te ter por perto.
E você não faz ideia do quanto a saudade ecoou pelos corredores da minha casa, não faz ideia do quanto meu corpo gritou pelo seu e depois, fracassado, caiu em devaneio petrificando a minha alma e me prendendo a um futuro sem sorrisos, cor de cinza.