domingo, 6 de novembro de 2011

Carta de suicidio - a carta que não recebi.

Essa talvez, seja mais uma carta de explicações do que uma carta de amor, é nela que venho a dizer que estou partindo daqui, não de forma carnal é claro, mas de uma forma diferente.
Eu deixei a essência da minha alma, tomando um novo rumo.
Nos seus olhos que tanto me amaram, deixo apenas arames farpados, para que cortem suas lágrimas, para que sangrem em seu coração, para que toda vez em que seus olhos cruzarem com os meus percebam que eu não sou mais o mesmo.
Tiro de mim todas as recordações boas, e queimo na alma de quem tanto me ama toda vez que essas lembranças chegarem a transbordar em seu coração.
Troco quem sempre me apoiou por quem nunca fez a diferença, e engano a mim mesmo e aos meus sentimentos, jurando que o solo em que piso hoje é tão seguro quanto o nascer do sol amanhã.
Faço de ti, minha pequena flor, um reflexo dos meus erros, e murcho todos os seus sonhos.Secando como água, levo também toda a sua confiança, para que aprenda a viver na sombra de seus medos e que fique tão insegura quanto ao mundo que se assuste toda a vez que se olhar no espelho e perceber que, eu, alem de me assassinar, levei um pedaço seu também.
Por um bocado de outras drogas assassino também toda a amizade que houve.
Para você, a que tanto me amou, deixo um oceano de lágrimas para que lastime a minha falta, não só pelo nosso amor, mas por todas as coisas boas que representei para você um dia.
Fecho meus olhos para o mundo e escondo o meu vazio atrás de falsas ambições e copos vazios.
Escureço a minha alma, como uma noite sem estrela e na fumaça do meu esturro abandono todas as minhas qualidades.
Com frialdade deito a minha parte boa em um caixão e a imerso em solidão, para que ela nunca mais encontre o teu coração e para que passa o infinito sem saber como seria a nossa história.

2 comentários:

Anna kelly disse...

Escrita grandiosamente perfeita, eu mergulhei na hora comecei ler, é um tipo de texto que da vontade de continuar lendo até o fim.

Anna kelly

D. Strabler Kowalski disse...

sempre adorei seus textos larita, e esse está per-fei-to!