sábado, 23 de abril de 2011

Essa noite ela me visitou.

Entrou pela porta, silenciosa e densa.Seus sussuros ofegantes chegaram até meus ouvidos arrepiando e encobrindo meus sonhos.
Abafou minha voz com entorpecente. Era tanta fumaça que mal conseguia ve-la. Apenas seus olhos.
Olhos de amargura, olhos salgados como o mar e como as lagrimas que já escorreram por esses mesmos pobre olhos.
Senti meu corpo nu, envolto em mortalha.
Não carregava foice, ou roupa escura. Era todas as cores e a falta delas.Era
vapor de licor alcoólico que sobe à cabeça, que envolve e que leva, sem deixar-me contestar.
Esperou a carne esvaecer e então me carregou. Seus dedos eram delicados, tão delicados que não pude senti-los ou tentar resistir. Era sobrenatural.
Seduziu minha alma.Me rendi.

Então o menino dos olhos azuis, me roubou. Soprou em meus ouvidos que ainda era tempo de viver.
Pegou em minhas mãos e se assegurou de que nessa noite eu continuaria viva e indiferente.
Ela foi embora, mas não disse adeus, a certeza de que iria me ver mais uma vez era tão clara quanto os olhos que nos observavam.

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